SETE CANÇÕES DE DECLÍNIO 1. Um vago tom de opala debelou Prolixos funerais de luto d'Astro - E pelo espaço, a Oiro se enfolou O estandarte real - livre, sem mastro. Fantástica bandeira sem suporte, Incerta, nevoenta, recamada - A desdobrar-se como a minha Sorte Predita por ciganos numa estrada. . . 2. Atapetemos a vida Contra nós e contra o mundo. - Desçamos panos de fundo A cada hora vivida. Desfiles, danças - embora Mal sejam uma ilusão. - Cenários de mutação Pela minha vida fora! Quero ser Eu plenamente: Eu, o possesso do Pasmo. - Todo o meu entusiasmo, Ah! que seja o meu Oriente! O grande doido, o varrido, O perdulário do Instante - O amante sem amante, Ora amado ora traído... Lançar as barcas ao Mar - De névoa, em rumo de incerto... - Pra mim o longe é mais perto Do que o presente lugar. ...E as minhas unhas polidas - Ideia de olhos pintados. . . Meus sentidos maquilados : A tintas desconhecidas... Mistério duma incerteza Que nunca se há-de fixar... Sonhador em frente ao m...